segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Fim da Juventude
Duas óperas rock que se tornaram filmes, onze álbuns de estúdio, performances inconfundíveis e inúmeras canções que marcaram época. Estes itens apenas resumem o currículo de uma das mais aclamadas e clássicas bandas imortalizadas na história do rock and roll.
Foi no verão de 1961, em Londres, ao ver um rapaz carregando seu contrabaixo nos ombros, que Roger Daltrey, guitarrista solo da banda ‘The Detous’ , resolveu convidá-lo para participar de sua banda. John Entwistle, que estava acompanhado de sua namorada no momento, aceitou a proposta. Logo no ano seguinte, com a saída de Reg Bowen, ficou vago o cargo de segundo guitarrista que, por intermédio de John, foi ocupado por um rapaz bastante magro e com um nariz de largas proporções: “Um nariz em um bastão”, foi como Roger descreveu o estudante de artes Pete Townshend. Com Townshend na segunda guitarra, John Entwistle tocando contrabaixo, Doug Sandom na bateria, Roger Daltrey como guitarrista principal e Colin Dawson nos vocais, o ‘The Detours’, que na época se apresentava em bares, logo sofreria novas mudanças: em 1963, inspirado por ‘Johnny Kidd & The Pirates’ , Daltrey demitiu Colin Dawson e assumiu o posto de ‘frontman’ , deixando a guitarra apenas para Townshend.
Pouco a pouco, o grupo de Rythm and Blues mudava de forma, assim como seu nome: ‘The Who’ , como passaram a ser chamados depois de uma reunião no apartamento de Pete com todos os membros da banda e também com seu colega de quarto Richard Barnes, que foi quem teve a ideia. Com o tempo, Pete Townshend inventava um novo estilo de tocar guitarra: seus ‘powerchords’ pesados e o ‘feedback’ causado pela sua guitarra, devido ao fato de tocar com os amplificadores num volume muito alto, o tornavam um guitarrista inconfundível. Assim o ‘The Who’ se diferenciava das outras bandas da época, mas ainda havia uma mudança a ser feita. Em 1964, Doug Sandom foi demitido e durante uma de várias apresentações com um baterista profissional contratado pela banda, um garoto que havia descolorido o cabelo a ponto de ficar ruivo, pediu para se juntar ao grupo alegando ser muito melhor que o baterista que estava em palco. Após uma demonstração, Pete, John e Roger não tinham mais dúvidas, aquela era a peça que faltava para preencher o som do ‘The Who’ . A partir de então, Keith Moon, que tocava numa banda de surf music, passou a fazer parte de uma banda inspirada pelo blues norte-americano
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Tio Gilson e a Praia da Barra da Tijuca
Todo mundo tem um familiar “mala” que só serve para trazer problemas e dores de cabeça para o restante da família. Na minha família, esta figura é representada pelo meu tio Gilson.
Tio Gilson é uma pessoa muito difícil de se lhe dar. Tem suas convicções e não muda por nada, mesmo estando errado. Seu orgulho é imenso. Não sei, sinceramente, como cabe dentro de uma pessoa da estatura dele. Temos histórias variadas sobre seus feitos vergonhosos que já são contados a terceira geração. Irmãos, sobrinhos, minha avó, minhas priminhas mais novas... Não há quem olhe para o rosto do meu tio sem rancor algum. Mal ele já fez a todos.
Mas esse homem, quando eu ainda era muito jovem, mostrou-me possuir um coração “de ouro”, como se costuma dizer...
Sempre fui fascinado pelo mar. O manto azul líquido desatinou um compasso mais acelerado no peito desde o primeiro olhar pela televisão na casa da minha avó Elizabete. Antes de conhecê-lo profundamente ,ficava praticando natação na cama, de baixo do cobertor que usava como meu mar particular. Tentava reproduzir – obviamente em vão – as sensações sentidas pelas idas e vindas das marés saturadas de sal.
Imaginava a temperatura da pele aumentando devido à exposição ao sol, as pessoas andando sem pressa marcando a areia da praia com seus pés tortos e pesados deformando artisticamente toda aquela beleza tipicamente carioca. Esses rituais de aproximação das sensações se repetiram diariamente até o dia do primeiro mergulho.
Devo ter deixado essa paixão transparecer em algum momento pois, em uma manhã bem quente de verão, fui convidado pelo meu Tio Gilson para acompanhá-lo a uma visita na praia da Barra da Tijuca. Eu era bem novo, devia ter um pouco mais de seis anos de idade. Morava em Comendador Soares e ir pra qualquer lugar do Rio de Janeiro levava uma quantidade de tempo considerável. Animei-me imensamente com o convite. Minha mãe não poderia saber e ele inventou uma desculpa qualquer para poder sair comigo. Do trajeto, só guardo na memória a entrada no trem praticamente vazio – naquela saudosa época, os meios de transporte público tinham certa qualidade. Para se ter uma idéia, a passagem do trem, por exemplo, custavam R$ 00,50.
Ao entrar no mar, meus mergulhos imaginários mostraram-se eficientes. Sorria abundantemente entre um mergulho e outro enquanto meu tio,do meu lado ,acompanhava atentamente meus movimentos involuntários. O que ficou na memória foram as brincadeiras durante o mergulho, as múltiplas sensações que se misturavam ao mar colossal e o quiosque de um senhor muito simpático onde meu tio e eu ficamos olhando o mar por um tempo, ambos em silêncio. Executava, naquele momento, meu ritual de despedida.
Coincidentemente , vez ou outra, algum canal de televisão entrevista alguma celebridade na Praia da Barra. Juro que aquele quiosque, do senhor simpático que me ofereceu gentilmente uma água de coco, fica ao fundo da gravação.
É a única boa lembrança que guardo do meu tio.
Tio Gilson é uma pessoa muito difícil de se lhe dar. Tem suas convicções e não muda por nada, mesmo estando errado. Seu orgulho é imenso. Não sei, sinceramente, como cabe dentro de uma pessoa da estatura dele. Temos histórias variadas sobre seus feitos vergonhosos que já são contados a terceira geração. Irmãos, sobrinhos, minha avó, minhas priminhas mais novas... Não há quem olhe para o rosto do meu tio sem rancor algum. Mal ele já fez a todos.
Mas esse homem, quando eu ainda era muito jovem, mostrou-me possuir um coração “de ouro”, como se costuma dizer...
Sempre fui fascinado pelo mar. O manto azul líquido desatinou um compasso mais acelerado no peito desde o primeiro olhar pela televisão na casa da minha avó Elizabete. Antes de conhecê-lo profundamente ,ficava praticando natação na cama, de baixo do cobertor que usava como meu mar particular. Tentava reproduzir – obviamente em vão – as sensações sentidas pelas idas e vindas das marés saturadas de sal.
Imaginava a temperatura da pele aumentando devido à exposição ao sol, as pessoas andando sem pressa marcando a areia da praia com seus pés tortos e pesados deformando artisticamente toda aquela beleza tipicamente carioca. Esses rituais de aproximação das sensações se repetiram diariamente até o dia do primeiro mergulho.
Devo ter deixado essa paixão transparecer em algum momento pois, em uma manhã bem quente de verão, fui convidado pelo meu Tio Gilson para acompanhá-lo a uma visita na praia da Barra da Tijuca. Eu era bem novo, devia ter um pouco mais de seis anos de idade. Morava em Comendador Soares e ir pra qualquer lugar do Rio de Janeiro levava uma quantidade de tempo considerável. Animei-me imensamente com o convite. Minha mãe não poderia saber e ele inventou uma desculpa qualquer para poder sair comigo. Do trajeto, só guardo na memória a entrada no trem praticamente vazio – naquela saudosa época, os meios de transporte público tinham certa qualidade. Para se ter uma idéia, a passagem do trem, por exemplo, custavam R$ 00,50.
Ao entrar no mar, meus mergulhos imaginários mostraram-se eficientes. Sorria abundantemente entre um mergulho e outro enquanto meu tio,do meu lado ,acompanhava atentamente meus movimentos involuntários. O que ficou na memória foram as brincadeiras durante o mergulho, as múltiplas sensações que se misturavam ao mar colossal e o quiosque de um senhor muito simpático onde meu tio e eu ficamos olhando o mar por um tempo, ambos em silêncio. Executava, naquele momento, meu ritual de despedida.
Coincidentemente , vez ou outra, algum canal de televisão entrevista alguma celebridade na Praia da Barra. Juro que aquele quiosque, do senhor simpático que me ofereceu gentilmente uma água de coco, fica ao fundo da gravação.
É a única boa lembrança que guardo do meu tio.
Confissões de Ausência
Tenho odiado estes dias:
Minhas drogas acabaram. Minha namorada está em São Paulo, por causa do trabalho. Tenho um livro de 600 páginas para traduzir do qual mal transcrevi o prefácio. A produção do meu livro anda parado feito o trânsito da Avenida Paulista e, para piorar ainda mais, não me tem sobrado um dinheiro excedente para a compra do meu néctar particular: A cerveja!
Toda a casa tem se resumido ao meu quarto. Por ele sei a mudança dos dias e noites quando constato a escuridão dominadora acompanhada de uma queda brusca na temperatura. Luzes em ação. Em seu âmbito ele retém todo meu trabalho , meus livros, meu lazer... Todos inertes.
Ele também é minha cozinha : pelo chão , espalhados aleatoriamente , embalagens de comida pronta, na verdade, biscoitos , doces e alguns bolinhos de chocolate de uma marca famosa. Uns palitinhos de brigadeiro – que eu adoro – se alternam com a harmonia confusa desse ninho particular. Analisando melhor as coisas, percebo que não tenho me alimentado com muita freqüência. A última coisa que meu corpo sentiu percorrer pelo sistema circulatório, foi uma dose de heroína comprada de uma traficantezinha na Praça Santos Dumont. Ela cobrou barato.
As noites são embaladas pelo set list do meu MP4 – já que meu computador resolveu parar de inicializar por tempo indeterminado, como greve de servidores públicos. As músicas avançam pela madrugada sem que minha atenção se volte um único momento para o amplificador – a não ser quando toca “Behind Blue Eyes”, do “The Who” . Adoro aquela introdução inconfundível! Elas só servem como background musical para esse mergulho solitário. Como em um grande filme de suspense. Não tenho visto filmes...
Acabei de me lembrar de uma garrafa de batida de laranja que escondi no fundo do refrigerador. Tenho que me controlar , é uma garrafa de apenas um litro e meio. Logo eu, um revolucionário , terei de me tornar algo que odeio: Um reacionário.Com um pouco mais de esforço mental, quem sabe eu não me lembre de outra substância perdida por entre minhas coisas? Talvez , quem sabe...
Em minha casa – ou seja, no meu quarto – meu olhar perdido , procurando alguma espécie de firmamento , mesmo com a mente confusa , ainda pelo efeito da heroína ,não consegue organizar mais que dois pares de palavras desconexas aflorando , em seu criador , uma sensação de inutilidade e paraíso ao mesmo tempo. Ser humano é ser trágico.
Com Hosana em São Paulo, tenho agora aqui uns poucos amigos que forçam minha ligação com a realidade. Não contatei ninguém. Nem o quero fazê-lo. Seria doloroso ver esse meu mundo especial se perder por causa de um diálogo sem fundamento. Não há necessidade. Ainda consigo sobreviver.
Voltando à Hosana: Converso com ela quase todos os dias. Não tanto quanto quero, já que ela só consegue me ligar nas pausas conseguidas às pressas no trabalho. Nada suficiente para diminuir a distância ou me fazer sentir um pouco mais vívido. Tecnologia é uma merda nessas horas! Relação de dependência também. Pensando melhor, não há do que reclamar. Prefiro mesmo a saudade atenuada por breves ligações DDD rompendo o véu da distancia e indo assim, amiúde, matando
Mesmo na putrefação do meu dormitório , que fundi odor de decomposição com excremento humano ,creio ter sentido seu perfume hoje , ao despertar de meu único cochilo de 20 minutos,nesses quatro dias.
Agora, já é noite novamente. As coisas aqui estão exatamente da mesma forma desde que ela partiu , com exceção de meu estado deprimente.
Melhor parar de lamentar. Nada posso fazer se não esperar seu retorno para meus braços e amá-la tão intensamente como antes. Na noite finda , só disponho de minha garrafa de batida de laranja para mergulhar pelos dias – e fazer rendê-la até onde der!
Há um sentimento de dias mortos como se , em meu interior , eu próprio os tivesse sido por inteiro.
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